SIMON FERNANDES

vento sintético

09 de Maio - 30 de Maio

Um corredor de expositores iluminados estende-se ao longo da Galeria das Artes, onde produtos são evidenciados com uma luz asséptica, dentro de seus “nichos“ de vidro e de seus invólucros plásticos. Cada mercadoria tem suas belezas e contornos muito bem apresentados, a nitidez da forma expressa sua função e uma dessas funções, obviamente, é seduzir as pessoas canalizadas pela galeria.

 

Transparência, reflexo, limpeza são clichês do repertório visual do comércio. Essas características fazem-me lembrar a agradável corrente de ar que também é conduzida pela passagem, olhos para os produtos.


Penso em uma água-ventania sintética que turva a clareza dos objetos e das palavras. Talvez o espírito dos plásticos tenha muito em comum com a natureza, já é parte do projeto de paisagem distópica de nossos tempos.

Simon Fernandes