FLORA LEITE

Mortinha

27 de Junho - 03 de Agosto

 

Mortinha é um trabalho elaborado especificamente para o projeto arte_passagem. A vitrine é coberta quase completamente, restando-lhe apenas uma pequena abertura redonda que possibilita observar seu interior. Em meio ao escuro, uma sereia é vista nadando em um copo de água.

 

Ali o objeto eleito nada num loop permanente, na água artificialmente colorida de azul, dentro de um copo de vidro. Não há nada específico em suas ações: com movimentos rápidos ou lentos, embora sempre silenciosos, em mares ou piscinas, a sereia atravessa corais e navios afundados, dos anos 1948 a 2019.

A pesquisa de Flora Leite frequentemente se utiliza da cultura de gosto médio, tentando entender a constituição de seus parâmetros. A sereia, um mito convertido ao longo dos milênios de monstro à fantasia - ora infantil, ora sexual - e até em profissão, habita um lugar genérico nas narrativas ficcionais da cultura popular. A operação do trabalho sugere, em tom  tanto cômico quanto melancólico, que a sereia possa existir em escala doméstica – dentro de um copo de água.

 

Mortinha, com franqueza acerca de sua técnica (projeção e filme de montagem), parece provocar uma observação contemplativa, não sem deixar de pleitear algum maravilhamento, semelhante aos aquários, e até – porque não – cortinas d'água e luminosos de vitrines comerciais. O olhar detido é central para o trabalho. Por isso, na vitrine da Galeria das Artes, a artista lança mão de um peephole, colocando o espectador na posição de voyeur nessa passagem comercial. Nada mais adequado para observar uma criatura como a sereia, tão sedutora quanto inexistente, em pleno centro de São Paulo. 

Créditos 

Mortinha

Flora Leite

2019

Video-instalação

Consultoria técnica: Bloco