HEITOR DOS PRAZERES (?)

A Pintura dos Três Meninos, 1964

02 de Abril - 02 de Maio

Para a ocasião da SP-Arte, o arte_passagem apresenta uma vitrine com uma obra de 1964, não autenticada e sem título de Heitor dos Prazeres (1898-1966). A pintura foi comprada em setembro do ano passado por R$ 400,00 na tradicional feira de antiquário do Bixiga, sem nenhuma garantia, certificado e com uma única e puída assinatura do pintor no canto inferior direito. No verso da pintura, só se vê uma etiqueta desgastada com um possível número de lote de leião 96 e um preço em dólar a lápis de USD 160,00 (atuais R$ 630,00). A proposição da vitrine não é só trazer à luz a precificação e autenticidade da obra no mercado secundário, o comércio das peças em feiras de antiguidade na cidade, mas também a busca da sua história enquanto obra.

 

Nos tempos em que o MASP retoma o célebre cavalete de vidro de Lina Bo Bardi em que a transparência das estruturas expositivas pontuam o espaço, o verso de uma pintura pode ser ele mesmo também cristalino e revelador. No seu instagram, o curador e diretor artístico da instituição, Adriano Pedrosa, recentemente postou a imagem da obra “A cuca”, 1924, de Tarsila do Amaral, da coleção do museu francês Musée de Grenoble. No post, viam-se etiquetas assomadas na madeira do chassi em um percurso espacial e temporal da própria pintura: Centre Pompidou, MoMA, K20 em Düsseldorf, etc, até chegar a uma etiqueta aparentemente assinada pela própria artista, onde se lê “Tarsilla compositiva”. Com esse disparador, a saga da veracidade da obra dos três meninos do pintor Heitor dos Prazeres aqui começa.

 

Durante a intervenção, o arte_passagem vai entrar em contato com dealers do mercado secundário para atestar ou não a veracidade do quadro, seu valor e até o preço de restauro com profissionais do mercado. 

 

Obra, mercado, autenticidade, exposição e revenda estarão em diálogo.

Heitor dos Prazeres (?): a pintura dos três meninos, 1964.